MERCADO

Medidas para reduzir impactos de barreiras comerciais sobre o agro avançam

A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (4), o relatório do deputado Rafael Pezenti (MDB-SC) ao Projeto de Lei 3.989/2025, que prevê incentivos fiscais, suspensão de contribuições previdenciárias e condições especiais para renegociação de dívidas de empresas agroexportadoras.

De autoria do deputado Lucas Ramos (PSB-PE), a proposta reduz os impactos das barreiras comerciais e do aumento dos custos de produção sobre o setor agropecuário brasileiro. O texto foi aprovado com alterações apresentadas pelo relator, que ampliou o alcance das medidas para contemplar também o encarecimento de insumos e serviços.

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“O protecionismo internacional e os riscos ligados aos conflitos geopolíticos elevam significativamente os custos de produção e logísticos, comprimindo a rentabilidade dos produtores rurais e reduzindo as margens das empresas agroexportadoras”, afirmou Pezenti em seu parecer.

O substitutivo mantém a criação do Programa Emergencial de Retomada do Setor Agroexportador (PERAGRO), destinado a empresas agropecuárias e agroindustriais classificadas como preponderantemente exportadoras pela Receita Federal.

Entre os benefícios previstos estão a redução a zero, por 24 meses, das alíquotas de PIS/Pasep, Cofins, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), conforme os critérios estabelecidos no projeto. O texto também prevê a suspensão das contribuições previdenciárias patronais pelo mesmo período e o acesso a linhas especiais de crédito com juros equalizados pelo Tesouro Nacional.

Ao justificar as medidas, Pezenti destacou a vulnerabilidade do setor diante da instabilidade internacional e da dependência brasileira de fertilizantes importados, que representam cerca de 85% dos principais produtos utilizados nas lavouras.

“Com vistas a mitigar os impactos negativos de um cenário externo adverso, marcado por conflitos bélicos e aumento do protecionismo, torna-se imprescindível a adoção de medidas de estímulo”, sustentou o relator.

Renegociação de dívidas

O substitutivo também cria o Programa Especial de Transação Tributária e Regularização Fiscal de Empresas Agroexportadoras (PETR-AGRO), que permitirá a renegociação de determinados débitos tributários vencidos até 31 de dezembro de 2025.

As empresas poderão obter descontos de até 70% sobre multas e juros, além de parcelar o saldo devedor em até 120 meses. A proposta também autoriza a utilização de créditos decorrentes de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL para amortização das dívidas.

O relator alterou o prazo de parcelamento, inicialmente previsto em até 180 meses, para 120 meses. Também estabeleceu um período fixo de 24 meses para os benefícios tributários, anteriormente vinculados à duração das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.

O prazo para adesão ao programa de renegociação será de 18 meses, contados da regulamentação pelo Poder Executivo.
Origem da proposta

Apresentado em agosto de 2025, o projeto surgiu em resposta ao aumento das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

Na justificativa, Lucas Ramos defendeu medidas emergenciais para preservar a atividade produtiva e os empregos diante das restrições comerciais.

“Diante desse cenário adverso, torna-se imprescindível a adoção de medidas emergenciais que assegurem a continuidade da atividade produtiva e a preservação dos empregos”, destacou o autor.

Antes de chegar à Comissão de Agricultura, o projeto recebeu parecer favorável do deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), aprovado pela Comissão de Desenvolvimento Econômico (CDE) em novembro de 2025.

Em seu relatório, Coutinho apontou o encarecimento de fertilizantes, máquinas agrícolas e financiamentos como fatores que comprometem a competitividade das empresas exportadoras. O parlamentar também defendeu medidas temporárias de desoneração tributária, acesso ao crédito e renegociação de dívidas.

Próximos passos

Com a aprovação na Comissão de Agricultura, o projeto seguirá para análise das Comissões de Finanças e Tributação (CFT) e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).

A proposta tramita em caráter conclusivo e poderá seguir ao Senado sem necessidade de votação no plenário da Câmara, caso não seja apresentado recurso.

(Com Agência FPA)

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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