Entregas de fertilizantes caem 8,8% e desafiam planejamento da safra

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 22,99 milhões de toneladas entre janeiro e julho de 2026, queda de 8,8% sobre o mesmo período do ano passado, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). Divulgados no início de outubro, os dados mostram uma desaceleração que exige atenção ao planejamento da safra 2026/27, especialmente na contratação dos insumos e na organização das aplicações.
A diferença corresponde a aproximadamente 2,23 milhões de toneladas a menos entregues ao mercado. Em julho, a retração foi mais intensa: o volume chegou a 3,96 milhões de toneladas, redução de 22,3% na comparação anual. As importações de fertilizantes intermediários também diminuíram, acumulando 21,24 milhões de toneladas nos sete primeiros meses, recuo de 7,6%.
Perda de patrimônio ameaça produção no campo
Na avaliação da Anda, o movimento reflete uma combinação de crédito restrito, juros elevados, condições menos favoráveis de troca entre produtos agrícolas e fertilizantes e incertezas internacionais. A redução das entregas, entretanto, não comprova falta generalizada de insumos nem permite concluir que os produtores estejam aplicando menos nutrientes nas lavouras.
Para a propriedade, a questão é saber quanto fertilizante será necessário, quando deverá chegar e como a compra se encaixa no orçamento. Adiar uma negociação pode preservar o caixa no curto prazo, mas também aumenta a exposição às condições de preço, frete e disponibilidade no momento em que o produto for necessário.
A análise do solo ganha importância nesse cenário. Orientações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostram que a recomendação de adubação deve considerar a disponibilidade de nutrientes, as características da área e a produtividade esperada. Isso permite identificar onde o investimento é necessário e onde há possibilidade de ajuste.
“O produtor precisa conhecer a fertilidade de cada área antes de decidir quanto vai investir em adubação. Um corte igual para todos os talhões pode retirar nutrientes de onde eles são indispensáveis e manter gastos onde seria possível ajustar a dose. A análise do solo, o histórico da lavoura e a expectativa realista de produtividade ajudam a direcionar o dinheiro e a evitar que uma economia imediata comprometa o resultado da colheita”, alerta.
O acompanhamento também precisa alcançar a execução. Regulagem dos equipamentos, distribuição uniforme e escolha da época adequada influenciam o aproveitamento do fertilizante. Comprar o produto correto não elimina perdas quando a aplicação ocorre fora das condições recomendadas.
“Planejar a compra e planejar a aplicação são partes da mesma decisão. É preciso calcular a necessidade da lavoura, conferir o prazo de entrega e organizar as operações para que o nutriente esteja disponível no momento adequado. Quando esse processo fica para a última hora, o produtor perde alternativas de negociação e pode enfrentar dificuldades para executar o manejo. O acompanhamento de um engenheiro agrônomo ajuda a compatibilizar a necessidade da cultura com os recursos da propriedade”, recomenda o presidente do IA.
A entidade avalia que a continuidade de importações abaixo do ritmo de 2025, combinada à aceleração da demanda agrícola, pode reduzir a folga dos estoques. A chegada das cargas programadas e uma recuperação das compras, por outro lado, podem aliviar essa pressão.
“O acesso aos insumos depende também de crédito em condições compatíveis com a atividade e de uma logística que permita cumprir o calendário agrícola. Precisamos ampliar as alternativas de financiamento, fortalecer a assistência técnica e estimular investimentos na produção nacional de fertilizantes. São medidas que dão ao produtor mais capacidade de planejamento e reduzem sua exposição a oscilações que ele não controla dentro da fazenda”, completa Isan.
Para quem ainda tem compras a concluir, o planejamento começa pela revisão da recomendação agronômica e dos contratos já firmados. Quantidade, composição do produto, prazo de entrega, frete e custo do financiamento devem entrar na comparação entre propostas. O objetivo é assegurar os nutrientes necessários à lavoura sem assumir gastos que a produção não consiga remunerar.
(Com Pensar Agro)











