AGRICULTURA

Governo sanciona Profert para reduzir dependência de fertilizantes importados

O governo federal sancionou o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), que cria instrumentos para estimular a produção nacional de insumos e reduzir a dependência brasileira do mercado externo.

A Lei nº 15.496/2026 estabelece entre os objetivos do programa reduzir a dependência externa de fertilizantes e matérias-primas, diminuir custos da cadeia agropecuária, garantir maior estabilidade no abastecimento e contribuir para a segurança alimentar do país.

Brasil alimenta o mundo, mas ainda depende do exterior

O Profert abrange fertilizantes e matérias-primas de origem sintética, mineral e orgânica, além de remineralizadores, bioinsumos e biofertilizantes. A legislação também autoriza, conforme disponibilidade orçamentária e financeira, a destinação de recursos para linhas de financiamento voltadas a investimentos no setor.

O programa ganha relevância diante da elevada dependência brasileira de fertilizantes importados. Atualmente, o país importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza. O Plano Nacional de Fertilizantes (PNF) prevê ampliar a produção nacional para atender entre 45% e 50% da demanda interna até 2050.

A exposição ao mercado externo tornou-se uma preocupação maior nos últimos anos diante de conflitos internacionais e problemas nas cadeias globais de fornecimento, com reflexos sobre preços e disponibilidade dos insumos.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) atuou na articulação da proposta durante a tramitação no Congresso Nacional. O presidente da frente, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), tem defendido a ampliação da produção nacional como estratégica para reduzir a vulnerabilidade da agropecuária brasileira diante da dependência de insumos importados.

“Esse talvez seja um dos maiores gargalos do setor”, afirmou Lupion ao tratar da dependência brasileira de fertilizantes importados.

O parlamentar defende o fortalecimento da indústria nacional para reduzir a exposição do produtor às oscilações do mercado internacional e garantir maior segurança para a produção de alimentos.

Na Câmara dos Deputados, o projeto foi relatado pelo deputado Júnior Ferrari (PSD-PA), integrante da FPA. Durante a votação, Ferrari destacou a negociação para a construção do texto.

“Esse projeto foi bastante discutido com o governo federal e com o setor. Chegamos a um texto, fruto de um amplo acordo”, afirmou.

Após as alterações feitas pelos deputados, a proposta retornou ao Senado para a etapa final de análise.

Produção estratégica

No Senado, a relatoria ficou com a senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice-presidente da FPA na Casa e ex-ministra da Agricultura. A parlamentar destacou a ampliação do alcance do programa para diferentes segmentos da cadeia de fertilizantes.

“O substitutivo amplia seu escopo para abranger fertilizantes minerais, sintéticos e orgânicos, bem como bioinsumos, biofertilizantes, remineralizadores e respectivas matérias-primas”, afirmou Tereza.

Para a senadora, ampliar a produção doméstica é estratégico para reduzir a vulnerabilidade brasileira diante de crises internacionais e dar maior segurança ao abastecimento de insumos para a agropecuária.

O texto relatado por Tereza Cristina foi aprovado pelo plenário do Senado em 11 de agosto, concluindo a análise da proposta pelo Congresso.

Autor do PL 699/2023, que deu origem ao Profert, o senador Laércio Oliveira (PP-SE) também defendeu a redução da dependência externa e o fortalecimento da indústria nacional.

“O Brasil não pode apenas continuar reagindo às crises internacionais: precisamos nos antecipar a elas. Precisamos construir autonomia, precisamos fortalecer a nossa indústria”, afirmou.

Segundo Laércio, a dependência externa de fertilizantes envolve não apenas os custos de produção, mas também a segurança alimentar, a estabilidade econômica e a competitividade da agropecuária brasileira.

Para o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), vice-presidente da FPA na Câmara, as mudanças feitas durante a tramitação permitiram preservar o objetivo central da proposta diante do novo cenário tributário.

Segundo o parlamentar, o projeto “cria instrumentos que reduzem o custo de produção e corrige distorções tributárias que hoje tornam o produto importado mais competitivo”.

O que muda

A nova lei estabelece percentuais mínimos de mistura, em volume, de fertilizantes nacionais, sintéticos e minerais aos fertilizantes comercializados, distribuídos e vendidos no país.

O percentual será de 2% a partir de 1º de julho de 2027 e deverá chegar a 10% até 1º de janeiro de 2037. A partir de 2038, o Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert) avaliará a viabilidade técnica e poderá fixar percentuais entre 10% e 30%.

O Confert poderá alterar os percentuais em situações excepcionais, por motivo de interesse público justificado ou quando a produção nacional for insuficiente para o cumprimento da mistura obrigatória. A definição deverá considerar fatores como oferta, capacidade produtiva, preços e impactos sobre a competitividade da agropecuária.

A legislação também prevê linhas de financiamento reembolsável, condicionadas à disponibilidade de recursos, para projetos de produção de fertilizantes e matérias-primas, além de remineralizadores, bioinsumos e biofertilizantes.

Os recursos poderão financiar a modernização, reativação e ampliação de unidades produtivas, atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação e investimentos em infraestrutura para novos empreendimentos.

Na sanção, o governo vetou dispositivo que considerava, para os efeitos da lei, como fertilizantes apenas aqueles extraídos e produzidos no território nacional. Segundo a justificativa do Executivo, a regra poderia entrar em conflito com o dispositivo que estabelece a mistura de fertilizantes nacionais aos produtos comercializados no país.

(Com Agência FPA)

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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