AGRONEGÓCIO

Tarifa de 25% dos EUA pressiona agro brasileiro

A aplicação de uma tarifa adicional de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros acendeu um alerta para o agronegócio nacional e aumentou a pressão sobre as margens das empresas exportadoras. Diante desse cenário, com custos externos mais elevados e menor competitividade no mercado internacional, especialistas avaliam que a gestão tributária pode se tornar uma das principais ferramentas para preservar a rentabilidade dos negócios.

Além disso, a medida amplia os desafios enfrentados pelo setor, que já convive com custos operacionais elevados, juros altos e um sistema tributário considerado complexo. Assim, empresas do agronegócio passam a buscar alternativas internas para reduzir impactos financeiros, como recuperação de créditos fiscais, revisão de pagamentos de tributos e aproveitamento de benefícios previstos na legislação.

Mudança no ITR pode impedir cobrança sobre terras invadidas

Segundo Bruno Medeiros Durão, especialista em Recuperação de Tributos e Direito Bancário e fundador da DAP Advocacia, momentos de instabilidade no comércio internacional exigem que empresas busquem eficiência em áreas sob maior controle.

“Quando o mercado externo aumenta custos por meio de tarifas, o empresário precisa buscar eficiência onde ele ainda possui controle. No Brasil, uma das maiores oportunidades está justamente na gestão tributária”, afirma.

De acordo com o especialista, muitas empresas do agronegócio ainda recolhem valores acima do necessário ou deixam de utilizar créditos fiscais previstos na legislação. Dessa forma, a recuperação desses recursos pode representar uma alternativa para reforçar o caixa diante da perda de competitividade.

Revisão fiscal ganha espaço nas estratégias do agro

Nesse contexto, a nova tarifa aumenta a necessidade de uma análise mais detalhada da estrutura tributária das empresas. Isso porque diferentes setores da cadeia produtiva convivem com regras envolvendo ICMS, PIS, Cofins, IPI, contribuições previdenciárias e incentivos fiscais estaduais.

“Hoje não basta produzir bem. É necessário produzir com eficiência fiscal. Empresas que possuem governança tributária conseguem reduzir riscos, recuperar créditos e tomar decisões estratégicas com muito mais segurança”, explica Durão.

Segundo o especialista, em um ambiente de maior pressão comercial, a diferença entre empresas com planejamento fiscal estruturado e aquelas que não revisam seus processos pode impactar diretamente a capacidade de competir no mercado externo.

Além do mais, o efeito das tarifas pode atingir não apenas grandes exportadoras, mas também cooperativas, agroindústrias, tradings e fornecedores de insumos, que fazem parte da cadeia de produção.

Empresas precisam avaliar créditos e benefícios fiscais

Por outro lado, para Adriano de Almeida, advogado tributarista, especialista em agro e sócio do Durão, Almeida & Pontes – Advogados Associados, o cenário exige planejamento preventivo para evitar perdas maiores.

“A revisão fiscal deixou de ser apenas uma medida de economia tributária para se tornar uma estratégia de proteção financeira. Empresas exportadoras precisam identificar créditos acumulados, revisar enquadramentos tributários e avaliar benefícios fiscais que podem compensar parte das perdas provocadas pelas novas tarifas”, afirma.

Além disso, o tributarista destaca que muitas companhias concentram esforços na produção e comercialização, mas deixam de analisar oportunidades dentro da própria estrutura fiscal.

“É comum encontrarmos empresas que possuem valores expressivos passíveis de recuperação simplesmente porque nunca realizaram uma auditoria tributária aprofundada. Em um cenário de pressão sobre custos, recuperar recursos próprios pode ser mais eficiente do que buscar novas linhas de crédito”, destaca.

Eficiência tributária pode virar vantagem competitiva

Nesse sentido, o planejamento tributário deixa de ser apenas uma obrigação fiscal e passa a integrar a estratégia de competitividade das empresas, principalmente para aquelas que dependem das exportações como principal fonte de receita.

(Com BP Money)

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

Recent Posts

Rios voltam a transbordar e RS está em alerta!

O Rio Taquari voltou a atingir a cota de inundação durante a madrugada desta quarta-feira…

julho 22, 2026

Estado tem a primeira enchente do Super El Niño

  O Rio Grande do Sul teve a primeira enchente do El Niño com rios…

julho 22, 2026

Cotações Agropecuárias: Indicador do arroz alcança maior patamar desde setembro de 2025

O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul tem mantido a recuperação…

julho 22, 2026

Gado ouve a voz de produtor e escapa de enchente

Um vídeo emocionante registrado em Lagoa Vermelha, no Norte do Rio Grande do Sul, mostrou…

julho 22, 2026

Plano Safra 26/27 frustra e preocupa desempenho do próximo ciclo

A safra 2026/2027 começou sob um alerta dos produtores em relação à disponibilidade e às…

julho 22, 2026

Chuva volumosa e risco de cheias no RS

A MetSul Meteorologia alerta que as regiões dos vales do Taquari e do Caí têm…

julho 21, 2026

O site SOU AGRO utiliza cookies e outras tecnologias

Leia Mais