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FAEP aciona Ministérios Públicos estadual e do TCU por falhas da Copel e reajuste da tarifa

Representações pedem apuração dos problemas de fornecimento de energia elétrica e análise sobre o aumento da conta de luz

O Sistema FAEP encaminhou ao Ministério Público do Paraná (MPPR) e ao Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU), nesta quinta-feira (2), pedidos de investigação contra a Copel, devido às falhas no fornecimento de energia elétrica no meio rural e ao aumento na tarifa. Produtores paranaenses vêm sofrendo prejuízos milionários com as frequentes oscilações e quedas de energia e, após o reajuste que começou a vigorar no dia 24 de junho, ainda terão de pagar mais caro por um serviço precário.

A representação protocolada no MPPR pede a abertura de inquérito civil para apurar as falhas da concessionária, incluindo problemas como interrupções frequentes e prolongadas no fornecimento de energia elétrica, oscilações de tensão e demora no religamento. Além disso, solicita dados técnicos à concessionária, para avaliação da qualidade do serviço prestado.

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“Há anos, os produtores e sindicatos rurais vêm relatando diversos casos de perdas na produção e prejuízos milionários causados pela ineficácia da Copel. As quedas e oscilações interrompem a produção dentro da porteira e, como consequência, há mortes de animais, queima de equipamentos e prejuízos irreparáveis”, destaca o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

Em fevereiro, um produtor de Tupãssi, no Oeste do Paraná, teve prejuízo estimado em R$ 9 milhões com a perda de 900 mil quilos de tilápia. Os aeradores (equipamentos responsáveis pela oxigenação da água do tanque) queimaram devido a oscilações de energia, provocando a morte dos peixes.

No mês seguinte, uma família de produtores de São Miguel do Iguaçu, também no Oeste do Estado, teve um prejuízo de cerca de R$ 150 mil devido à falta de energia elétrica. Sem climatização no aviário, 20 mil frangos morreram.

Âmbito federal

O Sistema FAEP também protocolou uma representação no Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU). Esta diz respeito à revisão tarifária de 2026, aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O Sistema FAEP pede que o órgão federal examine se o reajuste e os investimentos que embasam a nova tarifa correspondem à qualidade de serviço ofertada aos consumidores.

No Paraná, a conta de luz teve reajuste de 20,51%, válido desde 24 de junho. O Sistema FAEP vem demonstrando que o aumento não condiz com a realidade do meio rural, que convive com danos causados pela má qualidade do serviço da Copel.

O assunto vem sendo abordado pelo Sistema FAEP, que mantém diálogo com o poder público, cobrando melhorias da Copel e questionando o valor do reajuste. Neste ano, a entidade participou de duas audiências públicas que trataram do tema. A primeira foi promovida pela Aneel, em Curitiba, em 29 de abril, enquanto a segunda, requisitada pelo senador Sergio Moro, aconteceu no Senado Federal em 5 de maio.

O agronegócio depende diretamente da estabilidade da energia elétrica para manter sua produtividade. No Paraná, isso fica ainda mais evidente, visto que o Estado é líder brasileiro na produção de frangos, peixes e tabaco. Esses são alguns exemplos de cadeias produtivas em que a energia elétrica é indispensável para garantir a ambiência adequada aos animais, o funcionamento de sistemas de ventilação, aquecimento, resfriamento, alimentação automatizada, bombeamento de água e conservação da produção.

“A relevância econômica do serviço de distribuição de energia justifica a necessidade de uma análise aprofundada sobre a composição da nova tarifa da Copel e sobre as razões da ineficiência do serviço prestado por ela. É preciso que exista responsabilização”, frisa Meneguette. “Em 2025, a Copel registrou lucro líquido de R$ 2,66 bilhões. Isso demonstra que o problema não está na falta de recursos, mas na ausência de investimentos direcionados ao campo. Vamos continuar cobrando investigação nos serviços ofertados pela concessionária e uma revisão do porcentual de aumento da tarifa, pois a situação no meio rural comprova a descaso com o setor”, complementa.

(Com FAEP)

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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