Projeto estratégico vai acelerar soluções de transição energética a partir da agricultura

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Bruno Laviola

Cinco unidades de pesquisa da Embrapa – Embrapa Agroenergia (DF), Embrapa Agroindústria Tropical (CE), Embrapa Milho e Sorgo (MG), Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) e Embrapa Trigo (RS) – integram capacidades para desenvolver soluções científicas que ampliem a contribuição da agricultura brasileira na descarbonização da economia. O desafio central é investir em ações de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) para transformar biomassa e resíduos agroindustriais em energia, combustíveis renováveis e insumos de base biológica, com ganhos ambientais e competitividade.

Essa estratégia institucional em rede, estruturada e liderada pela Embrapa Agroenergia, faz parte do projeto “Centro temático para desenvolvimento de soluções integradas voltadas à transição energética a partir da agricultura” (Bioinova), que conta com aporte de R$ 14 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para modernizar o parque de equipamentos e fortalecer a infraestrutura da Embrapa. A iniciativa, com duração de 36 meses, visa alcançar 10 metas (saiba mais em quadro nesta matéria) voltadas à geração de tecnologias para produção sustentável de energia e materiais renováveis.

Cevada é oportunidade de aumentar a rentabilidade

Segundo o chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia, Bruno Laviola, o Bioinova é estratégico pela integração de competências de cinco unidades para enfrentamento de desafios reais da transição energética. Além das 10 metas técnicas, o projeto prevê modernizar e ampliar a infraestrutura multiusuária da Empresa. “Com isso, vamos aumentar a nossa capacidade de gerar evidências, qualificar processos e acelerar a entrega de soluções em rotas como combustível sustentável de aviação (SAF, sigla em inglês), biohidrogênio, biometano, etanol e em tecnologias associadas ao desenvolvimento de matérias-primas e bioinsumos”, diz.

Laviola explica que o  Bioinova trabalha com uma lógica integrada de economia circular em biorrefinarias tropicais. A ideia é aproveitar resíduos da própria cadeia de biocombustíveis para reduzir emissões na produção das biomassas desenvolvidas no projeto. “Essas biomassas, por sua vez, podem gerar novos biocombustíveis e bioprodutos mais sustentáveis, buscando reduzir emissões e ampliar a sustentabilidade em toda a cadeia”, complementa.

O líder do projeto e pesquisador da Embrapa Agroenergia Guy de Capdeville pontua que, para o alcance das metas, o Bioinova atuará em diferentes frentes para ampliar as matérias-primas e rotas de conversão e produzir bioinsumos para nutrição, bioestimulação e controle de pragas de interesse energético. Para isso, o projeto vai contemplar áreas sujeitas a estresses abióticos, seca e salinidade e ferramentas de sustentabilidade, inteligência e biotecnologia avançada, além da viabilidade econômica de tudo isso.

Atuação em rede

O Bioinova vai mobilizar grande parte das equipes técnicas das cinco unidades da Embrapa envolvidas. “Estamos ampliando sinergias e o nosso potencial de entrega de soluções para o setor produtivo e para a sociedade. O Bioinova foi concebido para acelerar soluções integradas e aplicáveis, conectando o campo às rotas tecnológicas de biocombustíveis e bioprodutos. Além de gerar resultados científicos e tecnológicos, o projeto fortalece a infraestrutura necessária para responder aos desafios atuais e futuros da transição energética”, ressalta Capdeville.

 

Dez metas com foco em biocombustíveis avançados, bioinsumos e sustentabilidade

Entre as principais frentes previstas no projeto, destacam-se o desenvolvimento de:

●      Canola tropicalizada para ampliar a oferta sustentável de óleo e apoiar rotas para biodiesel, diesel renovável e combustível sustentável de aviação (SAF);

●      Três bioinsumos a partir de resíduos agroindustriais, contribuindo para redução de emissões e maior eficiência produtiva;

●      Microbiomas semiartificiais (engenharia de microbiomas) e de um processo agropecuário para produção sustentável de biomassa voltado à bioenergia em áreas marginais sujeitas a estresses hídrico e salino;

●      Composto derivado de lignina (a partir de resíduos agroindustriais) para uso agrícola;

●      Processos para produção de etanol a partir de matérias-primas amiláceas, ampliando alternativas e diversificação;

●      Processos para produção de biohidrogênio e biometano via biodigestão, visando aumentar a disponibilidade de energia para pequenas e médias propriedades;

●      Processo para obtenção de hidrocarbonetos utilizáveis como SAF a partir de óleos, incluindo canola e macaúba;

●      Avaliação de sustentabilidade ambiental e econômica, inventários e modelagem para estimar impactos das tecnologias desenvolvidas no projeto;

●      Implementação de uma plataforma multifuncional com biologia integrativa, inteligência artificial e biotecnologias para acelerar soluções em culturas energéticas e microrganismos voltados a bioinsumos.

●      Obtenção de extratos biocidas de baixa emissão voltados ao controle de nematoides em cultivos associados à bioenergia.

Fotos: Bruno Laviola (canola) e Simone Favaro (macaúba)

Modernização de equipamentos e ganhos estruturantes

Além das entregas técnicas, o Bioinova prevê aquisição e atualização de equipamentos estratégicos para ampliar a capacidade experimental e analítica, apoiar rotas de conversão e aumentar a robustez das evidências de desempenho e sustentabilidade. A infraestrutura terá caráter multiusuário, ampliando o alcance institucional e a capacidade de atender demandas de projetos internos, parcerias e cooperação técnico-científica.

Para viabilizar os trabalhos, Capdeville adianta que a contratação de pessoal também está entre as previsões do projeto. “Pelo menos 30 outros profissionais, de graduação e pós-graduação e cientistas já formados estarão entre as contratações”, reforça.

Além de aporte para manutenção de infraestrutura já existente, serão disponibilizados recursos para pesquisas em campo e para compra e manutenção de equipamentos. “Sabemos o quanto é importante trabalharmos com garantias tanto para aquisição quanto para manutenção ao longo de três anos de projeto. Trata-se de um projeto amplo, que foca não apenas na infraestrutura da Embrapa, mas também de parceiros”, destaca o pesquisador.

Laviola endossa que a atualização da infraestrutura é decisiva para reduzir o tempo de desenvolvimento, qualificar resultados e acelerar a conexão com o setor produtivo.

Foto: Felipe Carvalho (Biorreator para SAF — Combustível Sustentável de Aviação)

Energia renovável, baixo carbono e competitividade

A expectativa é ampliar o portfólio de soluções da Embrapa em biocombustíveis avançados (incluindo SAF), biogás e biometano, bioinsumos e novas matérias-primas, de forma a contribuir para a descarbonização de cadeias agroenergéticas; diversificar fontes renováveis e reduzir riscos de suprimento; com maior competitividade e previsibilidade para investimentos em rotas industriais, além de apoio técnico e científico a políticas públicas e estratégias setoriais.

“Ao final, esperamos entregar um conjunto consistente de processos e tecnologias, com evidências de desempenho e sustentabilidade avaliadas por meio de modelagens dos impactos econômico e ambiental e de ciclo de vida das tecnologias geradas ao longo do projeto. Tais informações nos permitirão apoiar decisões de investimento, formular políticas públicas, aprimorar cadeias produtivas e ampliar o papel da agricultura na oferta de energia renovável e de baixo carbono”, conclui Capdeville.

(Com Embrapa)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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