“Taxa de Guerra” e alta do diesel elevam custos para o agronegócio

Fernanda Toigo

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Imagem: Portal Sou Agro

A instabilidade geopolítica no Oriente Médio ultrapassa fronteiras geográficas e já reflete diretamente no bolso do produtor e das indústrias de alimentos no Brasil. Embora o mercado árabe não seja o destino direto de produtos como a carne suína, o impacto logístico e os custos de transporte criaram um novo cenário de desafios para o setor.

Em entrevista ao Portal Sou Agro, o presidente da Frimesa, Elias Zydek, detalhou como os fatores externos — muitas vezes fora do controle da gestão interna das empresas — estão moldando as estratégias do agronegócio para os próximos meses.

Conflito no Oriente Médio pressiona custos do açúcar

O Peso da Logística Internacional

Um dos impactos mais imediatos citados por Zydek é o encarecimento do transporte marítimo. Mesmo para exportações destinadas à Ásia, África e América Latina, as rotas globais foram afetadas por uma sobrecarga financeira.

As companhias de navegação implementaram a chamada “taxa de guerra”, um adicional que varia entre US$ 2.500 e US$ 3.000 por contêiner de 25 toneladas. Esse valor pressiona a margem de lucro das exportações brasileiras, tornando o produto menos competitivo ou reduzindo a rentabilidade.

Reflexos no Mercado Interno: Diesel e Frete Rodoviário

Não é apenas o mar que sente os reflexos dos conflitos. Dentro das fronteiras brasileiras, a volatilidade do petróleo impactou o preço do combustível:

* Alta do Diesel: O combustível subiu acompanhando a incerteza internacional.

* Impacto no Transporte: Esse aumento já se traduziu em uma elevação de cerca de 7% no custo do frete rodoviário nacional.

“Esses conflitos, essa questão toda, queira ou não queira, está interferindo nos planos”, pontua o presidente.

Rentabilidade em Risco

Apesar do cenário de incertezas, há um ponto de otimismo: a demanda por comida. Zydek acredita que, por se tratar de um item essencial, o volume de alimentos comercializados não deve cair. O problema, no entanto, reside na saúde financeira da operação.

A combinação de política monetária (juros), câmbio, política fiscal e agora os conflitos internacionais cria um ambiente de “cenários não controláveis”.

Estratégia de Cautela

Para enfrentar esse período, a palavra de ordem é adaptabilidade. Segundo o executivo, a Frimesa trabalha com a possibilidade de ajustar o ritmo de produção conforme o cenário evoluir:

* Desacelerar quando os riscos externos e os custos de logística comprometerem a viabilidade.

* Acelerar conforme as oportunidades de mercado e a estabilização dos custos permitirem.

“São riscos do negócio que poderão haver lá na frente. A rentabilidade pode ser afetada, e é isso que nos preocupa”, finaliza Elias Zydek.

VEJA AQUI A ENTREVISTA

(Com Portal Sou Agro)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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