AGRONEGÓCIO

Inadimplência no campo avança e atinge 8,3% da população rural

A inadimplência entre produtores rurais brasileiros voltou a crescer e alcançou 8,3% no terceiro trimestre de 2025, refletindo um ambiente ainda marcado por margens apertadas, custos elevados e acesso mais restrito ao crédito. O índice representa alta de 0,2 ponto percentual em relação ao trimestre anterior e avanço de 0,9 ponto na comparação anual, segundo levantamento divulgado pela Serasa Experian.

Apesar do aumento gradual, a leitura do mercado é que o endividamento segue relativamente controlado quando comparado ao volume total de crédito rural concedido nos últimos anos. Ainda assim, o cenário exige atenção, especialmente em segmentos mais expostos à volatilidade de preços e ao impacto climático. Para a Serasa, o momento reforça a importância de gestão de risco e planejamento financeiro nas propriedades.

Fique atento para a emissão da nota fiscal do produtor

O levantamento mostra que a inadimplência não está distribuída de forma homogênea no campo. O maior índice aparece entre produtores sem registro rural formal, grupo que inclui arrendatários e integrantes de grupos econômicos, com 10,8% de inadimplência. Entre os grandes proprietários, o percentual chega a 9,6%, seguido por médios produtores (8,1%) e pequenos produtores (7,8%).

A análise por faixa etária também revela diferenças relevantes. Os produtores mais jovens concentram os maiores índices de atraso. Na faixa entre 30 e 39 anos, a inadimplência chega a 12,7%, enquanto produtores com idade mais avançada apresentam níveis bem inferiores, sugerindo maior capitalização ou menor exposição ao crédito recente.

Quando observada a origem das dívidas, o peso maior está nos compromissos assumidos junto a instituições financeiras, que concentram 7,3% dos atrasos. Nessa categoria, a dívida média dos produtores inadimplentes é de R$ 100,5 mil, refletindo tíquetes elevados e prazos mais longos característicos do crédito rural.

Já os débitos com credores do próprio setor agropecuário, como fornecedores de insumos e serviços, apresentam inadimplência bem menor, de 0,3%, embora o valor médio das dívidas seja mais alto, em torno de R$ 130,3 mil. Isso indica que, mesmo com poucos atrasos, há concentração relevante de risco financeiro nesse tipo de relação comercial.

Do ponto de vista regional, o Sul do país segue como a área com menor nível de inadimplência rural, registrando 5,5% da população com débitos em atraso. O desempenho contrasta com o observado no Norte (12,4%), Nordeste (9,7%) e Centro-Oeste (9,4%). O Sudeste aparece em posição intermediária, com 7%.

Entre os Estados, os três do Sul mantêm índices abaixo de 6%, com destaque para o Rio Grande do Sul, que apresenta a menor inadimplência do Brasil, em 5,1%. Especialistas atribuem esse resultado à maior presença de cooperativas, ao uso mais disseminado de seguro rural e à maior adesão a programas de renegociação de dívidas, que ajudam a suavizar períodos de estresse financeiro.

Para o mercado, o avanço da inadimplência não indica uma crise generalizada no campo, mas sinaliza um período de ajuste, em que a seletividade do crédito, o custo financeiro elevado e a instabilidade de preços continuam pressionando parte dos produtores. A expectativa é que medidas de renegociação e políticas de mitigação de risco sejam determinantes para evitar um agravamento do quadro ao longo de 2026.

(Com Feagro)

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

Recent Posts

Exportações de carne de frango chegam a 492,6 mil toneladas

As exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, incluindo in natura e…

setembro 9, 2026

Colheita do milho 2ª safra chega a 94,9% da área acompanhada

De acordo com informações do Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundems/Semadesc, a…

setembro 9, 2026

Soja mais cara devolve fôlego à compra de fertilizantes

A valorização da soja e a queda recente de alguns fertilizantes melhoraram o poder de…

setembro 9, 2026

Cotações Agropecuárias: Menor oferta favorece recuperação dos preços da BRS vitória

A redução mais expressiva dos volumes de uva BRS vitória no Vale do São Francisco…

setembro 9, 2026

PCPR e PMPR miram organização criminosa ligada a furto de gado

A Polícia Civil do Paraná (PCPR), em ação conjunta com a Polícia Militar do Paraná…

setembro 9, 2026

Exportações de carne caem com recuo da China, mas EUA podem aliviar pressão

A forte redução das compras da China deve pressionar as exportações brasileiras de carne bovina no terceiro…

setembro 9, 2026

O site SOU AGRO utiliza cookies e outras tecnologias

Leia Mais