Pesquisa aumenta em mais de duas vezes o ganho de peso de tambaqui em tanque-rede

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Siglia Souza

Pesquisa coordenada pela Embrapa Pesca e Aquicultura (TO) conseguiu aumentar em mais de duas vezes o ganho de peso do tambaqui em tanque-rede. Com técnicas que envolvem suplementação hormonal e alimentar, os cientistas obtiveram 1,7 kg em dez meses nesse sistema de produção, o que representa uma taxa de ganho de peso 2,04 maior em relação ao resultado normalmente alcançado, que é de aproximadamente 1 kg em doze meses. Esses dados são de tanques com densidade de 40 quilos por metro cúbico (kg/ m³) e o acréscimo de peso foi calculado com base na média mensal.

Promover melhorias na produção de tambaqui em tanque-rede é uma das prioridades da pesquisa agropecuária voltada à pesca e à aquicultura, uma vez que pode contribuir para a inclusão socioprodutiva de piscicultores familiares.

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É o caso do projeto Uso de populações monossexo de tambaquis, ou Monotamba, liderado pela pesquisadora Flávia Tavares, que gerou esse resultado. A produção de tambaqui em tanques-rede é uma forma eficiente e ambientalmente responsável de cultivar essa espécie, por promover uma aquicultura sustentável e com ganhos crescentes de produtividade. Além disso, facilita o acesso a mercados locais em regiões ribeirinhas, permitindo uma produção mais próxima dos consumidores finais, o que pode reduzir custos de transporte e melhorar a qualidade do produto final.

Na pesquisa em questão, foram utilizadas somente fêmeas, que em tambaqui demonstram maior ganho de peso, ao contrário da tilápia, por exemplo. Elas receberam o hormônio estradiol na fase de recria por seis semanas. Parte da pesquisa foi feita no Sistema de Recirculação de Água (RAS) e parte em tanque-rede no Lago de Palmas, onde a Embrapa tem desenvolvido experimentos nesse sistema de produção.

Outra iniciativa nesse sentido, no projeto BRS Aqua, já havia conseguido reduzir de doze para nove meses o tempo para o tambaqui atingir 1 kg em tanque-rede na densidade de 40 kg/m³. Para isso, houve manejos como classificação dos animais e ajustes na tabela alimentar.

No projeto Monotamba, foram obtidos bons resultados também com a população chamada mista (em que machos e fêmeas compõem o mesmo lote). O ganho de peso chegou a 1,4 kg em dez meses, o que é considerado positivo. Essa população não recebeu estradiol na etapa de recria e funcionou como controle no tanque-rede, ou seja, foi a população que serviu como base de comparação para aquela que recebeu o hormônio e era composta apenas por fêmeas.

Foto: Clenio Araújo

Condicionamento alimentar

Na fase de recria, no sistema indoor, os animais foram alimentados apenas com ração, o que gerou neles um condicionamento. Quando foram para a engorda, já nos tanques-rede do Lago de Palmas, estavam acostumados a essa situação. De acordo com a pesquisadora, “eles se assemelhavam à tilápia quando comiam, o que não havia sido observado antes”. Nesse contexto, o tambaqui chegou a 1 kg por volta de seis meses e meio, bastante próximo ao que a tilápia consegue, que é atingir esse peso aos seis meses.

Tavares destaca que o ganho de peso, que foi expressivo e rápido, deveu-se em grande parte ao treinamento alimentar pelo qual as fêmeas passaram na fase de recria. Percebe-se, dessa maneira, a estreita relação entre as diferentes etapas da produção de peixes, quando o que acontece em uma impacta, positiva ou negativamente, a seguinte. No caso, houve benefício.

Ela ressalta ainda que o treinamento alimentar indoor “fez com que os peixes fossem treinados a comer ração mais cedo; tornando-os muito mais ávidos pela comida do que os peixes não treinados, o que fez grande diferença”. Diferença essa que gerou o já citado ganho de peso e abre uma perspectiva interessante no sistema de produção de tambaqui em tanque-rede.

(Com Embrapa)

 

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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