MEIO AMBIENTE

Parece mas não é: conheça as falsas-jararacas

As falsas-jararacas são cobras não peçonhentas e não agressivas, em sua maioria. Elas pertencem aos gêneros DipsasThamnodynastes Xenodon. As semelhanças com a jararaca estão no padrão de listras e nas cores, que variam entre cinza, verde, amarelo e marrom. Porém, em muitos casos, fatores como o tamanho do corpo e o formato da cabeça podem ajudar a diferenciá-las.

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A imitadora mais famosa é a boipeva (Xenodon neuwiedii), também chamada de cobra-chata. Ela tem esse nome por ter o costume de achatar o corpo quando se sente ameaçada, o que a faz parecer maior. Costuma se alimentar de sapos e pode ser encontrada em pastagens, plantações e, às vezes, em áreas urbanas. Além de desenhos semelhantes no corpo, a boipeva tem uma listra escura próxima aos olhos assim como a jararaca – quase como um “delineado”. Mas seu comprimento médio é de apenas 50 cm, enquanto a jararaca pode chegar a 1,5 metro.

A Dipsas bothropoides, popularmente chamada de dormideira, é uma cobra dócil que não oferece perigo (Foto: Konrad Mebert)

As dormideiras, como a Dipsas bothropoides, também são frequentemente confundidas com jararacas por terem as mesmas cores e um desenho muito parecido no corpo. Mas são serpentes   e tranquilas. Inclusive, a dormideira com certeza terá mais medo de você, do que você dela: ela tem o costume de se fingir de morta se alguém se aproxima ou tenta segurá-la. As Dipsas podem ser encontradas em plantações e sua dieta principal são lesmas e caracóis.

Outra falsa-jararaca é a cobra-espada (Tomodon dorsatus), que também tem o costume de achatar o corpo. Diferente das outras imitadoras, ela é considerada agressiva e predadora. É uma espécie que possui veneno, mas sua picada não é grave para seres humanos e provoca somente sintomas locais, como dor e inchaço – enquanto a jararaca real pode causar sangramentos e problemas mais graves. A cobra-espada habita áreas abertas e matas e também gosta de se alimentar de lesmas.

A cobra-espada (Tomodon dorsatus) achata o corpo para parecer maior e mais ameaçadora (Foto: Otavio Marques)

Vale lembrar que, independentemente de ser peçonhenta ou não peçonhenta, ser dócil ou ter um temperamento agressivo, o recomendado ao avistar uma cobra de qualquer espécie é se afastar e respeitar o espaço do animal. Caso ele seja encontrado em ambiente urbano, você pode informar as autoridades locais para ajudar a prevenir acidentes.

No Museu Biológico do Parque da Ciência Butantan, você pode ver de perto uma jararaca e uma de suas imitadoras, a cobra-espada.

A jararaca verdadeira é responsável por quase 80% dos acidentes com cobras no Brasil (Foto: Giuseppe Puorto)

Por que essas semelhanças ocorrem na natureza?

Tanto as falsas-jararacas como as falsas-corais são animais que se aproveitam de uma característica evolutiva chamada de mimetismo. Esse é um recurso de defesa usado para enganar predadores e mantê-los afastados, imitando uma espécie mais perigosa.

As imitadoras podem ocorrer não só nos mesmos ambientes onde a sua “versão verdadeira” habita, mas também se distribuir por diferentes regiões geográficas e se beneficiar dessa condição, aumentando suas chances de sobrevivência.

(Com Fabiano Morezi/Instituto Butantan)

 

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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