Será que vai? Plano da Argentina é zerar impostos sobre exportações agrícolas

Fernanda Toigo

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Foto: Arquivo/Gilson Abreu/AEN

O 9º Fórum do Trigo reuniu especialistas e produtores na cidade de Não me Toque, no Rio Grande do Sul, onde acontece a Expodireto Cotrijal. As incertezas da política Argentina e as oportunidades do mercado nacional foram os temas debatidos.

O evento foi aberto com a palestra do analista da Safras & Mercado, Élcio Bento, que tratou da nova política para o trigo pelo governo do presidente Javier Milei e os impactos no Brasil. O especialista relatou que o principal plano da Casa Rosada é zerar as retenciones (impostos sobre exportações agrícolas), atualmente em 12%, o que aumentaria a rentabilidade do produtor. Porém, a situação fiscal do país ainda não permitiu essa isenção.

Outras promessas são acabar com as cotas de exportação, prorrogar o prazo de declarações juradas de vendas ao exterior e desvalorizar o câmbio. “Como tudo isso impacta o Brasil” Basicamente, mais trigo argentino significa mais trigo barato no Brasil, o que derruba os preços”, afirma Bento.

Questionado sobre a sua expectativa quanto a Milei cumprir suas promessas, Bento disse que é pouco provável que todas sejam cumpridas em curto prazo. “Eu não gosto muito de falar de política, pois sou economista e não cientista político e nem especialista nessa área, mas dada toda a situação bastante complicada, econômica e fiscal, na Argentina, é muito provável que nem tudo que ele está prometendo vá conseguir cumprir, especialmente, em relação às isenções das retenciones. Isso é bastante complicado de se conseguir agora”, analisa Bento.

Foto: Assessoria

Na sequência, o presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Rogério Tondo, tratou da visão da entidade sobre o mercado nacional e internacional. Ele destacou que a Argentina é sempre uma surpresa e sinalizou que é preciso ficar atento aos rumos do governo Milei.

“A questão política diz muito se vai ou não ter retenciones. Isso mexe com toda a precificação de mercado internacional e é sempre uma luz na frente, mas a gente não sabe se é a luz de um trem ou de uma saída boa”, explica Tondo.

Em relação ao Brasil, o presidente da Abitrigo comenta que há mercados diferentes para trigos diferentes, com potenciais clientes em todo país. No Brasil, segundo números da entidade, 42,6% da produção é destinada para produção de pão francês, 12,5% para massas, 10% para biscoitos e 9,6% para uso doméstico.

“Continuem acreditando, pois a qualidade do trigo gaúcho cresceu muito nos últimos anos. Tanto é que houve mais substituição de importação do trigo argentino, especialmente, no Rio Grande do Sul. E continuem com essa batida de melhoria genética e tecnológica. Além disso, é preciso olhar no longo prazo – haverá anos ruins e bons – sempre pensando que o trigo é um redutor de custos para a lavoura de soja ou de milho”, afirma Tondo.

(Por Maiquel Rosauro | Para Assessoria de Imprensa da Expodireto Cotrijal)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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