“Importar tilápia do Vietnã depreda a cadeia nacional, esfacela a indústria e prejudica produtores”, diz Abipesca

Fernanda Toigo

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FOTO; Jonathan Campos/AEN

O Brasil é o 4º maior produtor de tilápia do mundo. O País tem a maior reserva de água doce do planeta, e por isso, capacidade de se tornar o líder absoluto. Nos últimos quatro anos a produção de pescado foi a atividade do agronegócio que mais se desenvolveu, superando percentualmente a produção de frangos, suínos, bovinos e grãos (soja e milho). Apesar de todos os desafios é a piscicultura vem se demonstrando a atividade mais lucrativa para os produtores comparado com outros tipos de cultivos, seja animal ou vegetal.

No entanto, os extraordinários resultados correm o risco de uma derrapagem brusca seguida de marcha-ré. A Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca) se posicionou contra a possibilidade de importação de tilápia do Vietnã, antes que a negociação com o Brasil seja sacramentada. “Há uma movimentação de mercado de tentativa de comercialização de tilápia de Vietnã no mercado Brasileiro. Algo nocivo ao crescimento da produção de piscicultura e aquicultura nos últimos anos. A abertura de mercado para o Vietnã exportar para o Brasil já é uma realidade.  Porém, até o momento não há Licença de Importação (LI) emitida pelo governo”, explica o diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados, Jairo Gund.
O Vietnã já fez a oferta e isso preocupa. A Abipesca acendeu o alerta, no sentido de movimentar a Frente Parlamentar do Agronegócio em defesa do pescado, bem como o Ministério da Pesca e 0 Ministério da Agricultura para que tomem medidas.

EMPREGO

Outro temor é com o mercado de trabalho, já que o setor gera mais de 500 mil empregos em toda a cadeia produtiva, do campo à comercialização ao consumidor final. Segundo as indústrias, o Brasil não precisa importar tilápia para atender a demanda do mercado nacional. A produção cresce mais de 5% ao ano há pelo menos uma década.

BIOSSEGURANÇA

Entre tantas preocupações, a Abispesca destaca também fatores de biossegurança. “Aqui cumprimos exigências rígidas. Trazer produto de fora pode oferecer risco sanitário. Não temos esse problema no Brasil e junto com o produto poderemos estar importando também dores de cabeça”, diz o diretor executivo.

COMPETITIVIDADE

A competitividade será comprometida. “Como é possível filé de tilápia sendo comercializado 12% mais barato do que custa ao produtor? Eles compram a soja brasileira para fazer a ração e a engorda, e entregar no Brasil mais barato? Como? Ou a produção é subsidiada pelo governo vietnamita para vender aqui ou tem uma desoneração muito maior do que a nossa, porque em termos de tecnologia de processamento não estamos devendo nada para ninguém. Nosso cultivo de tilápia é um dos mais eficientes do mundo. Não tem milagre”, observa Jairo.

O pescado é a proteína animal mais comercializada no planeta, representa 51% do business global.

“A importação de tilápia do Vietnã coloca em xeque e ameaça a produção do Paraná, lembrando que o Estado é o maior produtor de tilápias do Brasil. A Abipesca atua na defesa da indústria nacional. Importar tilápia significa depredar a cadeia de custódia nacional, esfacelar a indústria e os pequenos produtores que representam 90% da engrenagem”, finaliza o diretor executivo da Abipesca.

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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