CNA propõe ‘grande projeto de Estado’ para ampliar conectividade

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foros: Assessoria CNA

Em discurso na abertura do evento “Soluções para conectividade rural”, na sede da CNA, em Brasília, o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, João Martins, propôs “um grande projeto de estado” que contemple “as políticas públicas comprovadamente exitosas e parcerias com a iniciativa privada” para “ampliar a conectividade nas propriedades rurais”.

O evento foi realizado pela CNA e pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) na quinta (26) para debater propostas e soluções sobre como a conectividade pode contribuir para o desenvolvimento rural e promover a inovação agrícola no país.

Participaram da abertura, além do presidente da CNA, o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, o presidente executivo da Abimaq, José Velloso, o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, Pedro Estevão, a secretária de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Renata Miranda, e o secretário de Governança Fundiária, Desenvolvimento Territorial e Socioambiental do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Moisés Savian.

O encontro ainda reuniu parlamentares, especialistas, representantes dos setores produtivos, diretores da CNA e presidentes de Federações estaduais de agricultura e pecuária.

João Martins, presidente da CNAJoão Martins, presidente da CNA

Martins iniciou seu discurso falando como a agropecuária vive, em todo o mundo, um novo ciclo de desenvolvimento, mas que, muitas vezes, a falta de estrutura nos municípios brasileiros contrastam com a velocidade e o dinamismo com que as tecnologias estão sendo disponibilizadas aos produtores rurais.

“Essa dicotomia tem gerado prejuízos significativos, não apenas ao setor rural, mas para todo o país”, afirmou. Ele lembrou que a conectividade nas áreas rurais do brasil enfrenta desafios significativos. “Diversos estudos apontam que aproximadamente 70% das propriedades rurais estão desconectadas, sendo 50% delas na região Nordeste”.

Segundo o presidente da CNA, “garantir internet de qualidade possibilita avanços na produção e na produtividade; amplia o acesso do produtor rural às inovações tecnológicas; auxilia na preservação do meio ambiente; na educação a distância; na segurança no campo; e favorece o processo de sucessão familiar, atraindo o interesse dos jovens para o meio rural”.

E que o conjunto desses fatores “torna mais precisa a tomada de decisão do produtor, e eleva a competitividade do setor rural brasileiro”. Desta forma, completou, os desafios globais e as rápidas mudanças na agropecuária estabelecem a necessidade de os produtores trabalharem com maior eficiência.

Por esse motivo, reforçou João Martins, é preciso levar internet não apenas à sede das propriedades e às moradias dos trabalhadores, mas também às áreas de produção e estradas de acesso.

Mais do que “identificar os principais obstáculos que impedem o avanço da conectividade rural no país” é preciso “apontar soluções efetivas para que juntos, poder público e os diversos segmentos do setor produtivo, possam destravar a agenda da conectividade rural”, disse Martins.

Neste contexto, o presidente da CNA defendeu a convergência de propósitos e no diálogo construtivo “como forma de solucionar os grandes desafios do país”.

Martins destacou, por fim, a criação do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) e a realização dos leilões do 5G, que estabeleceram “importantes compromissos na interiorização da conectividade, foram grandes conquistas para o país”.

José Velloso, presidente executivo da AbimaqJosé Velloso, presidente executivo da Abimaq

O ministro das Comunicações, Juscelino Filho, afirmou que a conectividade rural é prioridade para a pasta diante dos desafios que as áreas rurais ainda enfrentam em relação a este gargalo.

Segundo ele, a tecnologia 5G vai propiciar a transformação digital de todos os setores produtivos, da agropecuária até a indústria, “sendo determinante para a trajetória futura do desenvolvimento socioeconômico do nosso país”.

“Toda essa expansão de cobertura, em especial das rodovias, possibilitará a maior competitividade no agronegócio, beneficiando os pequenos, médios e grandes produtores rurais. É importante ressaltar que, com a cobertura das estradas, melhorará sensivelmente a logística de toda a produção nacional”, destacou.

Filho falou, também, sobre a estrutura do Fust para a construção de redes de telecomunicações no interior do país, chegando às áreas mais remotas e sobre a Estratégia Nacional de Conectividade nas Escolas (INEC), para beneficiar as escolas públicas nas comunidades rurais.

“A conectividade rural não é apenas uma questão de tecnologia, é uma questão de justiça social e econômica”, ressaltou.

Para o presidente executivo da Abimaq, José Velloso, se a evolução tecnológica dos maquinários e do processo de produção é a chave para o sucesso do agro, a questão preocupante é que a tecnologia demanda conexão, e apenas 30% das propriedades rurais têm acesso a algum nível de conexão, segundo dados do Ministério da Agricultura.

“A inovação do campo não se limita às máquinas extremamente modernas e acesso à internet, mas a possibilidade cultural de ter os dados em plataformas digitais que permitam fazer a gestão completa do seu negócio”, disse. Na sua avaliação, a conectividade também permitirá a inclusão da população mais pobre, que se mantém “à margem dos avanços da sociedade”.

Pedro Estevão, presidente da Câmara de Máquinas e Implementos Agrícolas da AbimaqPedro Estevão, presidente da Câmara de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq

Já o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, Pedro Estevão, abordou os ganhos econômicos do setor agropecuário com mais conectividade. Segundo ele, um aumento de conexão dos atuais 30% para 48% representa uma alta em torno de 4,5% do Valor Bruto da Produção (VBP) do setor agropecuário.

“Se a gente chegar a 90%, a gente aumenta 9%, 9,5% o valor bruto da produção. Como o valor bruto da produção está em torno de R$ 1 trilhão, a gente está falando de aumentar a rentabilidade no campo em R$ 100 bilhões por ano”, salientou.

A secretária de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Renata Miranda, falou sobre o Projeto Rural Mais Conectado, uma iniciativa do governo federal para ampliar a infraestrutura de conectividade em área mais remotas do país.

A iniciativa, lançada no mês passado, é uma parceria dos Ministérios da Agricultura, Comunicações, Desenvolvimento Social e BNDES. O projeto prevê, entre outros pontos, uma linha de crédito para financiar a infraestrutura e tem como meta alcançar 90% de cobertura de internet nas comunidades rurais em todo o país.

Renata Miranda, secretária de Inovação do Ministério da AgriculturaRenata Miranda, secretária de Inovação do Ministério da Agricultura

Na primeira fase, o programa começou pelo Nordeste. “Quando falamos sobre tecnologias nesses lugarejos mais distantes, temos de ter acesso a tecnologias mais baratas para que pequenas operadoras se interessem e levem essa tecnologia”.

O secretário de Governança Fundiária, Desenvolvimento Territorial e Socioambiental do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Moisés Savian, disse que, com tecnologia, há mais possibilidades de as pessoas permanecerem no campo e continuar desenvolvendo as atividades da família.

“E a conectividade, a comunicação, o desenvolvimento dessas tecnologias podem contribuir com esse nesse desenvolvimento. Mas há uma distância entre a cidade e o campo e temos um caminho longo a percorrer”.

Moisés Savian, do Ministério do Desenvolvimento AgrárioMoisés Savian, do Ministério do Desenvolvimento Agrário

(Fonte: CNA)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

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