Brasil busca espaço no mercado Halal

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Foto: Câmara Árabe

Nos dias 23 e 24 de outubro acontecerá em São Paulo a segunda edição de um evento que já se tornou um dos maiores e mais expressivos no país sobre o mercado Halal: o Global Halal Brazil Business Forum. Especialistas, autoridades e empresários do Brasil e de outros países farão um importante intercâmbio de informações e experiências.

É chamado de Halal o que a religião islâmica considera lícito para o uso e consumo dos muçulmanos. Esse conceito se aplica a alimentos e bebidas, mas também a fármacos, cosméticos, vestuário, além do turismo e finanças.

No entanto, para que um alimento, por exemplo, seja considerado Halal é preciso que ele passe por uma certificação. Trata-se de um processo rigoroso para comprovar que esse item, efetivamente, não tem nada que coloque em risco a saúde e segurança de quem vai consumi-lo.

O produto Halal não pode ter nada em sua composição que não seja permitido para o consumo de acordo com as orientações islâmicas, sendo que tudo é comprovado por meio de testes laboratoriais. Em seu processo produtivo, também não pode ter nada que afete o solo, comprometa os recursos naturais ou a utilização de mão de obra escrava. Em caso de proteína animal, até mesmo o abate precisa seguir determinações específicas.

Mas não é só isso: para obter a certificação Halal, é desejável, ainda, a adoção de uma política comercial justa, sendo desejável que parte do lucro seja destinado para ações sociais e que beneficiem o meio ambiente.

Diante de todas as exigências, o Halal já deixou de ser uma exigência religiosa voltada aos muçulmanos e vem despertando o interesse de um número cada vez maior de pessoas em todo o mundo.

O conceito Halal tem muitas similaridades com o ESG, sigla em inglês que significa “environmental, social and governance”. Esse conceito tão em alta nas empresas envolve as práticas ambientais, sociais e de governança de uma empresa.

Muitas organizações já sabem que há consumidores, atualmente, que não se baseiam apenas em preço e qualidade quando escolhem um produto ou serviço. Eles querem mais: equilibram suas necessidades e desejos com a sustentabilidade da vida no planeta. E as empresas que não se adequarem a essa nova realidade podem comprometer sua sobrevivência.

Tais empresas também correm o risco de se tornar menos atrativas para os jovens profissionais: uma pesquisa recente da Accenture Strategy & Consulting mostrou que 88% dos brasileiros entre 15 e 39 anos querem trabalhar em organizações alinhadas a práticas ESG nos próximos 10 anos. Esse requisito se soma a outras expectativas como o salário compatível com a função, estabilidade e oportunidade de crescimento.

Os brasileiros, em geral, conhecem pouco o Halal porque os muçulmanos são uma minoria religiosa no Brasil – no mundo, são quase 2 bilhões, mas o nosso país é uma potência nesse mercado – e pode crescer muito mais: estamos entre os cinco maiores fornecedores de alimentos e bebidas do mundo para a Organização para a Cooperação Islâmica (OIC), composta por 57 países.

Em 2022, a OIC importou pouco mais de US$ 220 bilhões em produtos Halal. Desse montante, US$ 23,4 bilhões são de produtos brasileiros. O grande destaque é o frango Halal. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em 2022, o Brasil exportou um total de 1,983 milhão de toneladas de frango Halal para o mercado islâmico, volume 3,6%% maior que em 2021, quando foram exportadas 1,915 milhão de toneladas. Em receita, foram US$ 3,869 bilhões, resultado 29,1% maior em relação a 2021, quando movimentou US$ 2,997 bilhões.

Algumas projeções indicam que o consumo de produtos e serviços Halal pode chegar a US$ 2,8 trilhões em 2025. Existe um anseio mundial por sustentabilidade, saúde e segurança, algo que ficou ainda mais evidente após a pandemia. O Halal é uma resposta nesse sentido. É um selo universal que beneficia toda a humanidade.

(Por Ali Zoghbi – Federação das Associações Muçulmanas do Brasil)

Autor: Fernanda Toigo

Fernanda Toigo

Fernanda Toigo. Jornalista desde 2003, formada pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Cascavel. Iniciou sua carreira em veículos de comunicação impressos. Atuou na Assessoria de Comunicação para empresas e eventos, além de ter sido professora de Jornalismo Especializado na Fasul, em Toledo-PR. Em 2010 iniciou carreira no telejornalismo, e segue em atuação. Desde 2023 integra a equipe de Jornalismo do Portal Sou Agro. Possui forte relação com o Jornalismo especializado, com ênfase no setor do Agronegócio.

Mais Notícias