“O que se teme em relação à esquerda no agronegócio é um governo menos preocupado com o mercado”, diz analista

Débora Damasceno

Débora Damasceno

#souagro| Uma das questões que muito se debate no agronegócio é sobre como ficará o setor com o novo governo a partir de janeiro de 2023. Para entender como está o mercado, nós fomos ouvir um analista de mercado que nos trouxe um parâmetro das expectativas de futuro.

“O que se teme em relação ao governo Lula e ao governo mais à esquerda, em termos principalmente do agronegócio: É mais Estado e menos mercado de maneira geral, desde o início, pode dizer que pode haver muito mais demarcação de terras indígenas. Pode haver aí uma leniência maior em relação à invasão de propriedades que nós temos visto no passado, que não somente  de propriedades improdutivas, mas também a invasão de propriedades produtivas. Então, isso pode criar uma insegurança jurídica maior também”, explica Camilo Motter.

 

TRIBUTAÇÃO NAS EXPORTAÇÕES

Outra questão que gera instabilidade é a possibilidade de taxar produtos de exportação, o que pode desmotivar os produtores rurais.

“Durante a campanha, foi por o exemplo a questão da carne, dizia que poderia haver uma tributação nas exportações. Essa também é uma grande preocupação, porque desde 1996, com a Lei Kandir, as exportações do agronegócio não são tributadas. A produção de matérias primas, em geral não é tributada na exportação. Isso deu uma vantagem para o aumento da produção, com ganhos de produtividade, com mais investimentos em tecnologia. Então a gente entende que isso pode perder um pouco o ritmo se houver uma taxação das exportações”, detalha Camilo.

Camilo fala sobre a menor preocupação com o mercado, o que deve refletir no agronegócio e na economia.

“De maneira geral, a gente vê o governo menos preocupado com o mercado, ou seja, de uma economia direcionada pelo Estado. Se a gente pegar a economia como um todo, a gente provavelmente vai ter muito mais dificuldades de ver reformas avançando, ao contrário, ele prometeu, inclusive, o marco do saneamento básico, o teto de gastos, a questão da reforma trabalhista, enfim, a economia pode se tornar muito mais engessada”, diz Camilo.

 

DÓLAR

Sobre o dólar, o olhar de mercado é que deve haver muita mudança ao longos dos próximos meses.

“A tendência normal é que esse período de incerteza vai continuar. O dólar já subiu bem nas últimas semanas porque muitos agentes financeiros foram se posicionando, comprando dólares até lá, em muitos casos retirando investimentos que estavam no Brasil. Diante das dúvidas eleitorais que essa instabilidade tende a continuar pelas próximas semanas e meses, na medida em que o governo vai definindo sua equipe econômica ou se os ministérios também de forma mais ampla. Os mercados, com uma avaliação melhor, será mais restritivo a investimentos ou menos restritivo ao investimento. E isso, claro, vai ter implicação na cotação do dólar em relação ao real. Temos que esperar, mas haverá muita volatilidade pela frente e com certeza”, finaliza Camilo.

 

 

Autor: Débora Damasceno

Débora Damasceno

Autor no site Sou Agro.

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