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“Mar verde” de Altônia, limão gera empregos e ganha o Paraná

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A cena é bonita de se ver. Um caminhão carregadinho de limão, formando ondas verdes na caçamba de acordo com o balanço da boleia, tomando o rumo de Curitiba. É assim, religiosamente toda quarta-feira, que o agricultor Ricardo Casemiro dos Santos abastece a Ceasa da Capital com a fruta de Altônia, no Noroeste do Paraná. São 300 caixas de limão taiti a cada viagem de mais de 630 quilômetros. Volta sempre sem nada.

Na cidade grande, vira suco, sorvete, torta, tempero e uma infinidade de variantes que fazem a alegria dos altonianos. “Aqui tem limão o ano todo, falta nunca”, diz ele, enquanto busca espaço para encaixar mais um punhado da fruta antes de pegar o trecho.

Ricardo é um dos puxadores da produção de limão na cidade. Cultura que ganhou espaço há pouco mais de 20 anos, parte em substituição à laranja, que passou a ficar concentrada na vizinha Paranavaí, também no Noroeste, diminuindo a concorrência entre as cidades.

De acordo com a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, Altônia responde por quase metade da plantação de limão do Paraná: 44,7% das colheitas, bem à frente dos demais polos – Cerro Azul (6%), São Jorge do Patrocínio (6%) e Andirá (4,6%).

“São quase 500 hectares de pés de limão em Altônia”, diz o técnico em agropecuária da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Agricultura e Turismo, Paulo Cezar Lavaqui.

O limão ocupa uma área de 1,3 mil hectares no Estado, que proporcionou 20,1 mil toneladas de frutas colhidas – participação de 1,5% no total da fruticultura paranaense na safra 2019/2020, último levantamento consolidado pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura. Movimentou, naquele período, R$ 32,9 milhões.

Números em ascensão no Paraná e, claro, com reflexo em Altônia. “Quando se observa a dinâmica da atividade de 2010 a 2019, podemos ver o incremento de 62,8% em relação à área, de 49,6% nas colheitas e 84,8% no Valor Bruto de Produção (VBP) deflacionado”, afirma o técnico do Deral, Paulo Andrade.

MAIS MUDAS – Os cerca de 500 hectares de pés de limão devem ser ampliados em pelo menos 20% nos próximos anos em Altônia. A prefeitura mantém um programa que subsidia o transporte de mudas da fruta dos municípios de Paranavaí e Paranacity. Basta solicitar, plantar e colher. E, claro, gerar emprego e renda no campo.

Foi o que fez o veterano Devaldir Antonio Vendramini, 47 anos de Altônia e 25 dedicados à fruticultura – planta também abacate, jaca e laranja. Vai acrescentar mais 2 mil limoeiros aos atuais 3.500 pés para garantir uma produção 50% maior. Ele estima em cinco mil caixas de limão a produção deste ano. São seis empregos diretos.

“Tem um pessoal que vem comprar aqui para vender nas rodovias, mas o grosso da produção vai para Guarapuava. Lá quase todos os mercados têm a minha fruta. A demanda existe, por isso vou plantar mais”, destaca o agricultor.

CEASAS – Nas Centrais de Abastecimento do Paraná – Ceasa-PR, no ano passado, foram comercializadas 29,5 mil toneladas de limões a um preço médio de R$ 2,49 o quilo, alavancando uma movimentação financeira de R$ 73,7 milhões.

O estado de São Paulo domina a praça e contribuiu com 81,2% desta oferta – o Paraná amealha 17,6% desta quantia. Monte Alto (SP), Taquaritinga (SP) e Altônia (PR) forneceram 11,8 mil toneladas, representando 39,8% dos volumes comercializados do cítrico.

A movimentação nas Ceasas locais reflete o panorama nacional. Apesar da expansão, o Paraná não aparece nas primeiras colocações do ranking de produção de limão do País.

Segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), também relativos a 2019, São Paulo concentrou a produção com mais de 1,1 milhão de toneladas de limão, seguido por Pará (104 mil), Minas Gerais (84 mil), Bahia (69 mil) e Rio de Janeiro (20 mil). O Paraná é o nono, com 13,9 mil.

FONTE: AEN

FOTO: Gilson Abreu

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