Prevenção contra a cigarrinha do milho

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O produtor de milho tem vários desafios para elevar o rendimento da cultura, mas desde 2016 a cigarrinha tem sido mais um obstáculo no caminho da melhoria do desempenho da lavoura.

De lá para cá, a praga se espalhou atingindo plantações do Sul e de parte do Centro-Oeste do Brasil. Logo no início do surgimento da praga, muitos produtores atribuíam os danos a problemas nos híbridos e não faziam a aplicação de inseticidas, o que gerava prejuízos severos em casos de grande infestação. A atuação de pesquisadores e da assistência técnica apontou que a fonte do problema era o inseto e não as plantas. “A gente achava que o enfezamento era culpa do híbrido”, admite o associado Sílvio Puerta, de Encantado do Oeste, município de Assis Chateaubriand (PR).

No entanto, orientado pelo agrônomo Fernando Ostrowski, da unidade local da C.Vale, ele resolveu agir preventivamente desde a safra de 2017. O produtor passou a controlar o milho tiguera, onde a cigarrinha se hospeda. Na última safra de soja, por exemplo, foram duas aplicações para controlar plantas voluntárias. Ele também seguiu a recomendação do agrônomo no momento da escolha dos híbridos, optando por materiais mais tolerantes à praga. Agora em 2021, Puerta não deu trégua à cigarrinha, fazendo três aplicações químicas até o início de abril. “Tinha muita cigarrinha no começo, mas consegui controlar”, conta.

O agrônomo Fernando Ostrowski considera que os produtores estão se dando conta do potencial de danos da cigarrinha. “É a principal praga do milho safrinha, mas o produtor não pode se descuidar quando o milho sai do estágio de ataque do percevejo”, alerta. Ele elogia a atitude do produtor em seguir as recomendações técnicas. “O Sílvio fez o que a gente sugeriu desde o planejamento, escolheu dois híbridos tolerantes, porque não tem material resistente à cigarrinha.”

Sílvio Puerta está atento às inovações e sempre busca tecnologias para incrementar o desempenho da lavoura. No final de março do ano passado, ele semeou aveia preta com avião sobre 24 hectares de milho safrinha 45 a 50 dias depois da emergência das plantas. Ele dessecou a aveia após a colheita do milho e depois plantou soja. “Você precisa ver como o solo melhorou. Deu ‘pra’ perceber na economia de combustível do trator no plantio porque a terra ficou muito mais fofa do que onde não semeei a aveia”, relata. A técnica, sugerida por Ostrowski, também ajudou no controle de plantas daninhas na soja, principalmente a buva.

Controle só com ação conjunta

A cigarrinha está presente nas lavouras de milho desde os anos 1970, mas somente passou a trazer danos mais significativos há seis anos. Até então ela não estava contaminada pela bactéria molicutes e pelo vírus da risca. “A partir de 2016, começaram a se identificar perdas em um percentual significativo causadas pelo complexo do enfezamento. O Departamento Agronômico começou a avaliar danos ao milho, com cinco a dez por cento de plantas acamadas”, lembra Carlos Konig, gerente do departamento. Desde então a cigarrinha se espalhou pelo Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.

Quando contaminada pela bactéria molicutes, a cigarrinha transmite os enfezamentos pálido e vermelho, em que as folhas ficam esbranquiçadas ou avermelhadas. O inseto também pode ser transmissor do vírus da risca, que deixa as folhas do milho com listras finas. Essas doenças provocam danos diretos, reduzindo o crescimento do milho e afetando o enchimento dos grãos. Também geram danos indiretos, deixando a planta mais sensível a doenças como Pythium e Fusarium, responsáveis pelo acamamento do milho.

Konig diz que o controle deve ser feito de forma integrada pelos produtores já que o inseto pode voar por 20 a 30 quilômetros. “A cigarrinha pode migrar facilmente de uma lavoura para outra, então o controle é mais eficiente quando realizado em conjunto dentro de uma região com as aplicações de produtos químicos e biológicos ”, alerta Konig.

Fonte: Assessoria C.Vale

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