Segunda safra de milho é duramente atingida pela seca

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Enquanto a safra norte-americana estava sendo plantada, a safra argentina foi colhida, a segunda safra de milho brasileira enfrenta um abril difícil. A precipitação tem sido importante na maioria das regiões de segunda safra. Em alguns locais, ainda existe uma reserva de água no solo para alimentar as plantas, mas em outros as perdas já podem ser contabilizadas como irreversíveis. Por enquanto, existe apenas a percepção das perdas, em vez de números efetivos sobre elas. Enquanto as chuvas não voltam, será difícil definir o tamanho real das perdas, até porque este ano temos plantios em várias etapas.

     Uma saca de milho atingiu R $ 100 na região Sul do Brasil na semana passada. Os motivos para tal alta são óbvios, já apontados neste boletim desde o segundo semestre de 2020. Os principais pontos são:

     – A modesta safra de verão de 2021, incluindo as perdas no Sul, que agora parecem bastante claras;

     – A ausência de corte do consumo na proporção necessária para conter movimentos de preços mais agressivos que mantenham a demanda em linha com a oferta disponível;

     – Menor estoque de passagem de 2020 a 2021;

     – Safras isoladas e regionais são insuficientes para pressionar os preços;

     – Ações políticas tentando impor preços baixos ao mercado interno, mas algumas ações pró-ativas dos consumidores de milho para se protegerem de um movimento de alta;

     – Alta no mercado internacional;

     – Altos custos de importação;

     – Segunda safra com trinta dias de atraso no plantio e agora com risco de perdas decorrentes da seca;

     – Informações distorcidas que chegam à mídia e aos consumidores, mostrando um quadro de oferta irreal.

Chegamos em meados de abril, no auge da crise de abastecimento de 2021. Numa situação mais próxima do normal, a segunda safra começaria a chegar ao mercado em junho e abastecer o mercado interno normalmente a partir de julho, mantendo os preços ou convertendo-os à paridade de exportação. No entanto, o ano não é normal. A segunda safra foi plantada tarde demais e sujeita a variáveis ​​climáticas. Infelizmente, abril foi extremamente seco na maioria das regiões de cultivo. Alguns que receberam chuvas ocasionais no período, têm alguma reserva de água no solo, mas muitos agora entram em um estágio de perdas irreversíveis para as lavouras de milho.

As safras que estão nos estágios de polinização e espigamento terão resultados negativos durante o enchimento das vagens. As safras em estágio de desenvolvimento podem ser perdidas completamente se a chuva não retornar nos próximos 10 dias. Essa avaliação das perdas neste ano, portanto, não será simples. A falta de chuvas durante a polinização é fatal para o milho, como já evidenciado nas safras de verão de Santa Catarina e oeste gaúcho.

Em Mato Grosso, a situação é mais crítica no centro-sul do estado, já que nas áreas do centro-norte ainda choveu em abril. Essa precipitação não foi suficiente para recuperar a reserva do solo, mas para manter as plantas em boas condições. Claro que dependendo das condições durante o plantio, tais perdas de produção já podem ser mais evidentes, por exemplo nos casos em que não houve fertilização.

De modo geral, o único quadro que se pode tirar neste momento é que o milho segunda safra dificilmente atingirá a estimativa de 80,7 milhões de toneladas em março. No entanto, esse quadro está longe de perdas de 10 milhões de toneladas, por exemplo. Neste ponto, as perdas da segunda safra não podem ser consideradas uma catástrofe. Claro, ela merece toda atenção pela frente até pelo meio ambiente de 2022, mas é preciso entender que se a segunda safra chegar a 70 milhões de toneladas, por exemplo, o mercado brasileiro só precisa de 35 milhões de toneladas para sua demanda até janeiro de 2022. O restante seria destinado às exportações. Portanto, o segmento que mais sofrerá com as perdas de produção é o exportador de milho. Com a piora da segunda safra, fica cada vez mais difícil chegar às 35 milhões de toneladas do ano passado. A redução nas exportações pode equilibrar a oferta interna em caso de potenciais perdas da segunda safra. Além disso, o forte diferencial entre os preços domésticos de julho / agosto / setembro e os níveis portuários pode causar muitos desabamentos, reduzindo ainda mais as projeções de exportação.

Até o início da segunda safra em agosto, portanto, o mercado interno terá que se abastecer com algumas importações e / ou prejuízos nas exportações. A Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) deve retirar ainda esta semana o imposto externo comum (TEC) de 10% sobre o milho extra-Mercosul. Porém, na prática, o efeito é nulo para o mercado interno, pois apenas abre as portas para as compras brasileiras de milho americano. O custo do milho argentino hoje é de R $ 92 no porto em sistema de drawback. Sem drawback, incidem PIS / Cofins e demais tributos regionais. O milho americano agora custa R $ 102 CIF no porto brasileiro mais despesas domésticas. As regras do drawback são as mesmas da Argentina. No momento, importar com ou sem o TEC ainda é difícil.

O setor de consumo pressiona o governo para aprovar outra medida, que é a retirada da incidência de PIS / Cofins de 9,25% sobre os produtos importados. Isso não mudaria os cálculos de importação, mas tornaria mais fácil para as empresas que não têm permissão para lidar com o drawback importar e se abastecer. A medida ainda não deve ser aprovada pelo governo federal.

Fonte: Agência SAFRAS

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