Cigarrinha do milho deixa o campo em alerta

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Uma praga relativamente nova nas lavouras da região oeste e do Paraná já tira o sono dos produtores de milho. A cigarrinha Dalbulus maidis. Além de causar danos na planta, ele é o principal vetor de viroses ou mollicutes, provocando o enfezamento do milho. Apesar de medir entre 3 e 4 milímetros, seu poder de destruição é enorme, justamente por se sentir à vontade no clima tropical, caracterizado por temperaturas entre 18 e 30 graus. A equipe do Portal Sou Agro conversou com algumas pessoas que têm sentido de perto os efeitos dessa praga.

O número de casos aumenta a cada ano, segundo o engenheiro agrônomo Airton Cittolin. “Não há como eliminar totalmente a praga. O que podemos fazer é definir estratégias eficientes de controle e prevenção”, ressalta. Entre as alternativas, é importante mencionar o tratamento de sementes para coibir o ataque inicial. Um deles é o controle biológico, utilizando vários fungos predadores para o controle da cigarrinha, tais como Beauveria bassiana, Metarhizium anisopliae e Cordycepes javanica. Empresas e revendas já têm esses recursos biológicos à disposição do agricultor, por isso a necessidade de utilizá-los desde o início do plantio, para a supressão da praga. Há também o controle químico. “Recomendamos inclusive a mudança do princípio ativo para quebrar a resistência da cigarrinha”.

O Paraná responde por 15% da produção nacional do milho, mas enxerga esse índice ameaçado. Para o secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, ao longo dos anos o Paraná conquistou o respeito nacional e internacional em relação aos produtos agropecuários, muito por conta do cuidado do produtor e a dedicação à agricultura. “Para superar mais esse obstáculo envolvendo a cigarrinha do milho, é preciso seguir as orientações técnicas para manter os altos índices de produtividade do milho”.

Órgãos públicos estaduais da agricultura realizaram um levantamento em 200 pontos presentes em 50 municípios de várias regiões produtoras do Estado, entre novembro e dezembro do ano passado. A cigarrinha foi encontrada em 48% das amostras.

A cultura do milho ocupa atualmente uma área de 2,7 milhões de hectares, sendo 86,7% na segunda safra, com uma produção de 15,5 milhões de toneladas, correspondente a 14,7% da produção nacional. O Paraná é o segundo maior produtor, atrás do Mato Grosso, com 34%.

 

Perdas em metade da área

Na lida do campo há vários anos, o produtor Haroldo Stocker sentiu pela primeira vez os efeitos devastadores da cigarrinha, em uma área de 10 alqueires de milho na Linha Centralito, em Cascavel. Do total, pelo menos em metade será registrada perdas. “Consegui controlar a cigarrinha na safrinha passada, mas desta vez, por conta da variedade utilizada, não tive a mesma sorte”.  Ele conta que não absoervará um prejuízo tão grande, pois 50% da área conseguiu salvar por optar por uma variedade mais resistente. “Mas conheço outras lavouras que as perdas foram bem maiores”.

 

Preocupação no campo

Para o presidente do Sindicato Rural Patronal de Cascavel, Paulo Orso, a cigarrinha do milho é uma grande preocupação aos produtores de milho segunda safra. “Ela é o vetor da doença que causa perda de até 100% da lavoura de milho. Por isso, é preciso ficar em alerta e adotar os cuidados a partir do momento do plantio, com manejo a cada 4, 5 dias e vistoria para detectar se há ou não a presença da praga”, sugere. Além disso – continua Orso -, o controle precisa ser feito com produtos recomendados e registrados, conforme orientação dos engenheiros agrônomos. A doença aparece somente no fim do ciclo da cultura. O problema maior não é a cigarrinha em si, mas sim o vírus que ela introduz na planta, causando o enfezamento. Outra sugestão dada por Orso ao produtor é que elimine o milho guacho ou tiguera, já pensando em evitar problemas na próxima safra.

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